sexta-feira, 31 de julho de 2020

Apenas ser

    Ser apenas a quem somos, e não querer agradar outra pessoa com nada que fazemos, isso é uma vontade que eu tenho na vida. Olho pra trás e percebo que passei minha vida sempre fazendo as coisas para agradar alguém que não era a mim mesma. Eu na verdade nunca parei para olhar para mim e ver o que eu realmente quero e preciso para me sentir grata. Desde que adotamos o cachorro eu tenho saído todas as manhas para caminhas e escuto um podcasts do spotify que me faz pensar em algumas coisas. E bom, acredito que é um processo e começar a ouvir esses podcasts agora não é algo que simplesmente aconteceu. 
    Estou enfrentando uma depressão de anos. e quando paro para pensar em quando me senti sã, não encontro uma resposta, sempre apresentei sintomas depressivos, sempre fui uma pessoa que camuflei minhas dores para não preocupar as pessoas com meus problemas porque elas não precisavam disso. Quando penso no que eu quero eu percebo que sempre fiquei indecisa porque sempre deixei que outras pessoas dissessem por mim o que eu queria, não me permiti falar qual era a minha vontade por não considerar importante que minha vontade prevalecesse.
     Ouvir esses podcasts, ser mãe, cuidar da depressão, adotar o cachorro, fazer terapia, escrever aqui no blog e publicar aqui estão me fazendo perceber que eu não me dou a importância que eu imagino que eu me dou. O que é uma coisa engraçada porque eu me imagino a pessoa mais importante para mim mesma depois de Deus, e sei que depois de mim vem minha filha, mas percebi que não, eu sempre me coloquei, me coloco e infelizmente ainda me posiciono em ultimo lugar em quase tudo. A percepção disso doeu muito e também foi libertadora.
    Se você me perguntar qual o tratamento que funciona melhor para mim eu não sei te dizer, estou em busca do que me faz bem, e eu me sinto bem com muitas coisas. Me faz bem acreditar em Deus e ter fé que Deus cuida de mim e dos que eu amo. Aprendi a exercitar minha fé e ainda estou aprendendo, devagar, e muitas vezes de forma dolorida e difícil, sei que minha fé ainda é menor que um grão de mostarda, mas esta em fase de desenvolvimento e ela me fez buscar as outras coisas que hj eu faço em busca de equilíbrio e bem estar.
    Outras coisas, entre elas encontrei a energia dos cristais através de oraganites e meditação. Isso me ajudou muito a encontrar equilíbrio e estabilidade para aceitar as coisas como elas estavam para conseguir respirar e aceitar ajuda emocional que eu precisava. Pilates me mostrou com os movimentos de alongamento e fortalecimento combinando minha respiração que meu corpo não é tão inútil e imprestável e muito menos detestável como eu estava acreditando ser porque sempre escuto me falarem isso. A terapia com o psicólogo que me lembra como é importante eu manter meu equilíbrio para manter minha filha viva e saudável e dar a ela o equilíbrio que eu imagino ser o ideal pra ela, mas que para isso eu preciso primeiro encontrar. Escrever me ajuda a organizar meus pensamentos e colocar uma certa ordem nessa "verborragia" que eu tenho em mente e me faz muitas vezes ficar confusa sobre minhas escolhas e decisões.
    Eu penso demais. Tenho que começar a me permitir apenas sentir a vida. Como será a sensação de apenas sentir a vida, sem expectativas, sem buscar algo, tentar agradar ninguém ou fazer alguma coisa para ou por alguém? Será que isso é uma ilusão que a imaginação coloca na mente para que possamos ficar desejando algo que nunca teremos como conseguir uma vez que moramos e vivemos em uma sociedade que sempre espera algo de nós? E porque temos que atender as expectativas da sociedade? qual o problema com as expectativas que a sociedade tem a meu respeito? Porque eu fico tão incomodada com o que as pessoas esperam de mim e me cobro por não atender as expectativas delas?
    Alguma coisa não esta certa nesse mundo todo errado. Uma frase que ilustra a confusão de uma mente conturbada. Mas que expressa exatamente meu estado emocional ao dizer que não sei como explicar ou definir o que exatamente é esse sentimento que esta pulsando em mim e me faz querer mudar, mas não sei exatamente o que é. Só sei que eu percebi que gostaria de ter a oportunidade de descobrir o que eu realmente gosto, em relação a comida, não como um substituto de algo que me falta ou porque alguém me disse que é saboroso, mas porque eu experimento e é saboroso ou simplesmente porque eu já conheço e acho que é gostoso não porque alguém falou que é bom. 
    Gostaria de saber como será para mim sentir a areia do mar de novo só eu e o mar, agora que sou mãe. Eu o mar e minha filha. A ultima vez que estive sozinha em uma praia eu não tinha filha, e tinha tanta expectativa que não parei pra ouvir meu coração, não parei pra ouvir minha fé, não parei pra ouvir nem Deus falar comigo. Sofri, chorei, tive que abrir mão de sonhos e claro, Deus restaurou meu coração e me presenteou com um empréstimo pessoal divino inestimável; mas eu tenho vontade de voltar a uma praia, em uma costa e mostrar para minha filha, olha eu já tive e um dia terei de novo o privilégio de ter um quintal como esse, feito por Deus e bonito por natureza.
    Eu não quero ser uma pessoa irresponsável que não tem compromisso com o dia de amanha, sei que tenho uma filha que preciso ajudar a encontrar o seu próprio caminho, cercar de amor e dar a ela segurança emocional, física e estabilidade financeira para crescer com saúde e bem. Eu quero poder dizer com segurança para minha filha que se ela estiver decidida a fazer algo ela precisa saber que haverá consequências e não porque eu quero que ela faça ou não algo por mim ou para mim. e eu sei que ela só vai poder ter essa segurança se eu tiver essa segurança. Então eu preciso desenvolver essa segurança.
    
    

terça-feira, 21 de julho de 2020

A chegada do Bob

Deus vibra em uma sintonia tão harmônica que quando conseguimos entrar nela sentimos uma paz tão inexplicável que não dá pra descrever.  Encontrei isso no olhar de um cachorro, na foto de internet. Loucura, mas eu via a foto desse cachorro desde abril na pagina desse abrigo e pensava, ele faria tão bem para minha filha. Eu ficaria tão mais leve se tivesse um cachorro! Mas, bom já escrevi sobre isso. A chegada dele quarta feira passada foi justamente o que eu pedi a Deus para encontrar a paz que estava me faltando. Sinto que desde que ele chegou estou organizando melhor meus pensamentos, minhas emoções, minhas determinações sobre o que eu quero para o meu e o futuro da minha filha. È muito gostoso o que sentimos quando temos a certeza do que podemos fazer o bem para outras pessoas e para outros seres vivos que não estão conosco por interesse.

            Isso é uma das coisas que ficou bem nítido depois da chegada do Bob. A constante ameaça de se você não fizer eu vou encontrar quem faça no seu lugar, ou faz isso ou não farei aquilo, e coisas do gênero que transformam a relação em uma eterna troca de interesses de faça isso para que eu faça aquilo. Eu sei que é estranho isso. As relações humanas são baseadas em uma troca de emoções, e sentimentos, mas existe um limite entre o que são essas trocas baseadas em interesses e o que são essas trocas baseadas em simples existência. Eu sento e fico lá no quintal alisando o cachorro com minha filha só olhando o céu e vendo as nuvens passarem, às vezes falamos alguma coisa e achamos a manha perfeita. Ficamos cada uma fazendo suas coisas no mesmo ambiente e gostamos do silencio de estarmos juntas no mesmo ambiente.

Mas o nosso silencio parece incomodar e eu cansei de tentar entender. Sabe quando a companhia é leve e não precisa de palavras? Isso é raro, mas tenho com minha filha, vejo que minha mãe teve isso com minha irmã, ou eu acho que teve, porque tenho ciúme da relação delas porque as duas me falam coisas que eu não sei se é verdade, eu não sei.  A verdade é que não importa o quando e onde, se estou bem consigo compartilhar de momentos assim somente com a minha filha e poucas pessoas que chamo de amigos. Tenho sim vontade de pode sentir isso com minha mãe, mas não posso dizer que sinto. Hoje lembrei que me sentia assim com meu primeiro esposo, e no momento que parei de sentir isso começaram nossos problemas no casamento; no segundo a mesma coisa, e o problema não foi com eles, nem comigo, na verdade olhando de forma racional não houve um problema. Simplesmente não prosseguiu.

Uma relação deve ter o afinco de duas pessoas. Esse sentimento de simplesmente ser é bom pra mim e pra minha filha porque eu não tenho que agradar ela o tempo todo, e não sinto essa necessidade. E graças a Deus percebo que não estou cobrando ela de me agradar o que faz ela ficar a vontade comigo também. Isso Eu sinto também com os amigos que me deixam a vontade e é como eu vejo que funcionava com todos com quem eu je me senti assim e depois deixei de sentir. E Deixei de sentir porque passei a acreditar que precisava agradar, precisava porque a pessoa pediu algo que eu não me senti capaz ou não era capaz de dar ou fazer; ou achei e acreditei que não fosse. Independente de qual origem dessa necessidade eu não consegui identificar antes que ela acabasse por destruir o relacionamento e me afastar da pessoa ou transformar a relação até o quase completo fracasso como é hoje minha relação com minha mãe.

Então eu não me arrependo de nada do que eu fiz, e acredito que muito das coisas que eu deixei de fazer eu tive a racionalidade de entender que me fariam mais mal faze-las. Nesse momento eu sei que do pó Deus pode fazer argila e da argila o barro e do barro o homem a sua imagem e semelhança. E sei que se for da vontade dele meu relacionamento com minha mãe pode melhorar. Só não posso ficar sacrificando minha relação com minha filha até que minha mãe esteja pronta para viver esse novo que Deus já tem preparado para nos duas. Então o Bob já faz parte da nossa vida e tem me mostrado a importância de ter o pé no chão sobre o que eu realmente quero para o futuro com minha filha, e a única forma de conseguir isso é realmente voltando a trabalhar e isso só vai acontecer quando meus problemas de ansiedade e depressão e diabetes forem solucionados; já estou me preparando psicologicamente para a cirurgia bariátrica, e essa pandemia sendo contida eu vou fazer essa cirurgia.

E ai veio outra questão. Minha mãe começou a falar que não vai me aceitar morando com ela depois da cirurgia se eu operar antes dessa pandemia passar porque ela considera um risco de exposição alto demais para mim e para meu pai e toda a família operar em pleno auge da pandemia. Ela esta certa. E enquanto escrevo esse texto percebo o quanto ela esta certa nessa questão. Eu tenho que começar a me conter nas criticas que faço a minha mãe. Uma conhecida que tenho tido muita afinidade já me falou que o universo conspira a favor dos que vibram em sintonia com ele, e é uma sintonia de amor, uma vibração positiva. A prova disso é o estado emocional que eu consegui estar para ter a alegria de hoje dizer que o Bob faz parte da nossa família. Ele é uma realidade que antes de ser tangível foi vibrado no meu intimo com profundo sentimento e carinho e amor e um querer que Deus sabe o tamanho da minha necessidade.

Ver minha filha brincando de boneca com ele como se fosse uma colega da escola é tão gratificante; ver o cão correndo pela grama quando vamos passear e poder soltar um pouco para se cansar e exercitar as pernas! Eu fico emocionada e grata por poder ver e participar de momentos como esses. É muito bom e muito emocionante poder viver momentos assim. Poder ter com quem compartilha é muito gostoso também. Minha mãe tem ido com a gente nos passeios no final da tarde quando a saúde dela permite. E com todos os nossos problemas de relacionamento ela estar se entendendo com minha filha e mantendo uma relação saudável com ela pra mim é uma vitória. E acredito sim que para ela também é.

Hoje ela falou uma coisa para mim na hora do almoço que me deixou pensativa. Disse que eu sou muito dura com ela, de um jeito que não sou com outras pessoas. Ela tem razão? Eu não sei. Talvez tenha, vou avaliar se realmente estou me comportando e exigindo dela coisas que não exijo de outras pessoas, claro que minha relação com ela tem que ser diferente já que é minha mãe, quem sabe seja hora reavaliar a forma como lido com as emoções que me fazem levar tudo a ferro e fogo com minha mãe, agora que tenho o Bob para me ajudar a extravasar minhas emoções com exercícios, caminhadas e longas reflexões de trocas de olhares e chamegos caninos.

 


quarta-feira, 8 de julho de 2020

08/07/2020

          O que faz uma pessoa ficar feliz com a lagrima do próximo? Porque ver que a outra pessoa se entristece com nossas atitudes faz bem e em que ponto isso pode ser definido como psicopatia? Eu vejo seriados, assisti filmes e não entendo. Claro não estudei psicologia na universidade para tentar descobrir porque acredito que se houvesse uma resposta para essa questão não haveria tantas pesquisas cientificas e trabalhos com diferentes perspectivas sobre o assunto.

            As pessoas vivem diferentes experiências, e isso faz com que elas tenhas diferentes entendimentos de uma mesma situação. Existem grandes pensadores que falam sobre consciência coletiva, sobre coletivo imaginário e sobre coisas compartilhadas universalmente como algo utópico. Mas no mundo de hoje isso pode ser considerado de forma mais palpável. Antes era difícil de imaginar que uma pessoa do outro lado do mundo pudesse ter a mesma ideia sobre múltiplas personalidades disputando o consciente de uma pessoa racionalmente dentro de um individuo totalmente sociável, imagine três pessoas com a mesma ideia, quanto mais quatro, cinco pessoas? Mas incrível, isso acontece! Porque eu sei, porque aconteceu comigo.

            Quando resolvi voltar a escrever comecei um de vários escritos e entre eles um era sobre personificar emoções e escrever sobre como elas se colocavam dentro de mim como pessoas que discutiam e argumentavam me enlouquecendo mas não tirando a minha razão e eu acabava sendo até mesmo engraçada sobre o assunto. E falando com uma conhecida sobre a ideia do que eu estava escrevendo descobri que tem um seriado sobre isso. E quando eu cheguei a casa, olhei na internet e descobri que esse seriado é baseado em um livro que foi baseado em um anime japonês que foi baseado em um filme antigo de não muito sucesso de muitos anos atrás!

            Tudo isso me faz pensar se existem nesse universo virtual pessoas que passam pela experiência de ter por perto pessoas que ama e não consegue manter distancia por um ou outro motivo e que te machuca ficando feliz e satisfeita quando percebem que conseguiram te machucar? Porque eu realmente gostaria de poder conversar com essas pessoas sobre como podemos conseguir através de conversas anônimas nos ajudar e os apoiar para que possamos suportar a dor sem perder o respeito e sem alimentar  raiva ou sentimentos ruins que só servem para envenenar nossa alma e nos deixar amargos com a vida e pessoas que nada tem a ver com o que sentimos ao sermos magoados pela pessoa que tanto queremos por perto. E principalmente porque mesmo a pessoa sendo toxica a presença dela em nossa vida é tão necessária? Porque a sensação que eu tenho é de que podem passar mil anos e mil encarnações eu não conseguirei não ter essa toxicidade na minha vida se não resolver o motivo dessa dependência.

            Assisto seriado atrás de seriados, converso com meu subconsciente e com minha imaginação e não encontro uma resposta. Escuto musica, bebo meu chá. Me encanto com o som dos pássaros, e me deixo devanear as vezes no sorriso doce de ver minha filha descobrindo as coisas simples da vida. Eu não tenho resposta para tudo, preciso aceitar isso, nem tudo é perfeito, nem tudo tem resposta e nem sempre o encaixe acontece. È assim que as coisas são. E eu olho minha filha e me lembro que quando eu era criança eu não queria ser mãe, eu já tinha consciência que esse mundo era ruim demais para se trazer uma outra vida pra viver nele. Como eu já podia saber disso? Porque eu sabia ou pensava assim? E ai eu percebo que não sei a resposta porque simplesmente não me lembro; assim como não me lembro de coisas que certamente foram boas da minha infância.

            Vale a pena buscar essas memórias? Não. Foi a resposta do meu psicólogo. Ele me mostrou que não iria mudar em nada buscar essas lembranças simplesmente porque elas não iriam mudar em nada meu presente. E ele tem razão, elas não iriam mudar meu presente. Eu na idade da minha filha já não queria ser mãe, e eu sei disso e me lembro de não querer. Mas sei bem o momento em que decidi e escolhi ser. Sei e me lembro de tudo que passei para realizar essa escolha e hoje sou mãe. Ser mãe pra mim não foi um acidente, foi uma escolha. Cada decisão que tomei desde o momento em que aceitei viver para ser um vaso de amor na terra tenho vivido situações de escolhas difíceis, onde meu querer tem sido colocado em questão.

            Ser mãe é uma escolha minha, e eu tinha no fundo do coração a vontade de exercer a maternidade sim, mas tinha também o medo. E por causado meu relacionamento toxico com minha mãe eu era muito mais apegada a esse medo do que a minha vontade. E quando aceitei ser um vaso de amor, eu entendi que ser amor não é ser egoísta, mas aprender a se amar sem ser egoísta. Aceitar que sou toxica para minha mãe e ela é toxica para mim é tão dolorido que me machuca escrever essas palavras, mas também me liberta. Não sei se algum dia ela vai ler isso, e muito menos se em algum momento eu terei coragem de conversar com ela sobre isso, mas só de escrever já consigo respirar melhor.

            Resolvi que não quero mais alimentar essa relação toxica com minha mãe mais. E principalmente que não vou desenvolver com minha filha um relacionamento toxico. Preciso desenvolver uma forma de me relacionar com minha filha sem essa toxicidade que permeia toda minha relação com minha mãe e a única forma de fazer isso é purgando minha relação com minha mãe. Agora que a decisão foi tomada eu preciso de ajuda. E a ajuda precisa vir de uma consciência coletiva que eu preciso encontrar nesse universo virtual. Nessa consciência coletiva que permeia o subconsciente coletivo que existe acima de todos nós.  

             Eu assisto series sobrenaturais, e acredito em muita coisa, mas já adianto que uma coisa é acreditar no sobrenatural, e outra é acreditar em sobrenatural. Se isso ficou claro vou responder aos comentários do blog e do capitulo. Se não me desculpe. Já pratico hoponpongo e estou ensinando do meu jeito a minha filha de 3 anos e 8 meses. Esta sem nos ajudando muito. Mas ela esta na fase da teimosia, e estamos tendo muito trabalho para superar esse comportamento dela.  Agora principalmente, eu quero de verdade que minhas palavras possam ser apoio e ajuda a alguém, e ser ajudada ou apoiada por alguém. É tão difícil não poder ouvir nada sobre esse assunto além da voz do meu próprio consciente ou subconsciente falando com meus personagens imaginários.