quinta-feira, 20 de maio de 2021

Aniversários

     Completei quarenta anos de idade, e me perguntaram como eu me senti no dia que completei ano. Minha resposta automática foi: do mesmo jeito que me sentia ontem, nada diferente, tudo igual. E agora que já se passam onze dias desde que completei essa idade eu continuo pensando da mesma forma, porque percebi antes de me tornar mãe que a idade não se mede nos aniversários que eu comemoro, até porque posso não comemorar e mesmo assim vai ser meu aniversário; mas a idade virá com a passagem do tempo e esse é implacável, e não existe nenhum poder no mundo capaz de parar o tempo e fazer com que ele não passe. Você já parou pra pensar nisso?

    Não posso escrever sobre como é quando nascemos porque na verdade eu não me lembro, lembro muito pouco da minha primeira infância, tenho flashes de alguns coisas da minha pré adolescência e coisas confusas se misturam na minha linha de memorias sobre minha adolescência propriamente dita. Minha mente começa a ficar mais organizada quando penso na minha maturidade juvenil, ou como eu chamo o começo dela, que foi quando eu comecei a entender que eu era uma mulher mais que ainda era uma menina, e queria ser tratada como adulta. A minha juventude começou pra mim no final da minha adolescência, entre meus 17 ou 18 anos, mas acho que como dizem todos os meus familiares eu nunca cresci. 

    Posso dizer como me sinto como mãe com relação a ver minha filha crescendo. Ver a passagem do tempo nas feições dela e em como ela esta mudando, mudando o tamanho, mudando as feições, os trejeitos, a fala, a forma de se comunicar, o olhar. nossa é incrível como ela tem desenvolvido rápido, e vendo a passagem do tempo nela eu me espanto em comparar que em mim já não é assim, as coisas mudam ou simplesmente desaceleram? Ainda filosofando eu percebi que não é que as coisas desaceleram, é que as coisas mudam de tamanho, por ela ser pequena eu vejo cada mudança dela como grandes mudanças, e isso me espanta e me enche de orgulho, e em mim, um fio de cabelo branco não me assusta tanto já que é apenas um entre tantos. E me lembro da professora de matemática falando de proporção.

    Engraçado como a mente divaga por assuntos que aparentemente nada se relacionam mas que são como a vida, estão sim interligados, tudo esta sempre interligado sempre com as menores e as maiores coisas, e isso me faz perceber e pensar em como estamos socialmente afundando em um fase assustadoramente ausente de empatia, consideração ao próximo e compaixão. Me pergunto se isso acontece só comigo.  Comecei esse post falando dos meus quarenta anos de vida! Como pode? Acho que é a crise dos 40, dizem que é comum, talvez seja, não sei, mas Deus me deu a capacidade de sentir demais, de ver demais e de perceber demais. Como algumas pessoas já me falaram eu penso demais e meu problema é esse. Talvez seja. 

    Mas não pensar não vai me impedir de sentir, já tentei agir sem pensar, e os resultados não foram muito positivos nem pra mim, nem pra algumas pessoas que conviveram comigo naquela época. Já pensei demais e acabei demorando demais pra agir, o que também não foi eficaz porque trouxe dor e prolongou sofrimento demais e acabou envolvendo pessoas demais em assuntos que não cabia envolver tanta gente. O equilíbrio entre pensar e agir é muito sutil, e eu ainda não posso dizer que encontrei, e já sei como fazer pra encaixar certinho. O que eu sei é que estou sentindo que estou perto de conseguir fazer esse encaixe sem causar muitos danos colaterais. 

    Quando eu me vi querendo ser mãe eu me assustei; de onde vinha esse desejo, o que era aquilo? Como assim trazer ao mundo uma pessoa totalmente dependente de mim? Eu já escrevi um post sobre isso, mas foi bem assustador descobrir esse desejo em mim, foi estranho depois de mais de 30 anos dizendo pra mim que eu seria a titia perfeita pra todos os sobrinhos que a vida me desse e que se em algum momento eu encontrasse alguém que me mostrasse ou sentisse o desejo de ser mãe eu poderia realizar isso dando a alguma dessas crianças que abandonadas pelas genitoras esperam por um lar e por pais que as dê a oportunidade de experimentarem o que é o amor fraterno.

    Nesse conflito eu me vi querendo experimentar ter um filho e da forma como fosse pra ser, e a forma escolhida por Deus pra mim foi vivendo o milagre de uma gestação com todos os percalços que passei. E olha que não foram poucos. A concepção eu consegui colocar em um post aqui recentemente, afinal esse blog nada mais é que uma previa do que escreverei em um livro de forma muito mais ordenada e elaborada e floreada quando tiver coragem pra colocar as ideias juntas pra isso.  Mas o fato de estar agora com quarenta anos e minha filha com quatro me fez perceber uma coisa bem interessante. Eu sou uma criança de quarenta anos! Cheia de sonhos, desejos e ideias. Ainda descobrindo a vida. 

    Adoro brincar de boneca com minha filha, ainda vejo desenho animado e me divirto demais com eles. Mas a idade se faz lembrar quando vou correr e já não tenho o mesmo pique ou folego que ela e não consigo acompanhar o mesmo ritmo. Nesse momento eu lembro que a adulta sou eu e que eu deveria parar de ser tão criança. Mas é tão bom ver ela tão feliz e se divertindo comigo nesses momentos que logo descarto esse pensamento. Uma pena que não posso descartar esse pensamento pra sempre e esquecer isso, afinal a idade chegou, e com ela a responsabilidade, continuo sendo uma mulher que precisa arrumar um jeito de manter a sanidade e encontrar alguma fonte de renda para se sustentar e sustentar essa criança linda e sorridente. 

    Ideias tenho varias, qualificações, nossa, sei fazer muitas coisas, estudar eu estudei até a faculdade, mas fui incapaz de concluir uma; porque não me comprometi o suficiente para chegar até o final, e encontrei em desculpas financeiras motivos para interromper cada uma delas. A primeira de administração, e as outras duas de tecnólogo em radiologia. Tenho formação técnica em radiologia, sem nunca ter conseguido exercer profissionalmente a profissão; motivos existem muitos; mas razões reais eu não sei, ou não quero encarar de frente ainda; talvez ainda não esteja pronta pra enfrentar essa minha verdade. O fato é que estou tentando com todos esses textos e nesse blog pessoal ver algum sentido nessa minha busca e auto descoberta. A verdade é que não faço a mínima ideia de como ou por onde começar a minha construção de algo que possa se tornar uma fonte de renda para minha vida.

    Eu não quero algo que me permita ganhar valores que me ajudem a pagar contas e comprar comida, quero poder viajar com minha filha, poder sair com ela aos domingos, ou no dia que for e poder curtir com ela por exemplo um dia no Zoo Park sem me preocupar se vou ter dinheiro pra pagar a conta do restaurante se ela pedir um sorvete de sobremesa. E não quero ao meu lado pessoas dizendo que sonho alto demais e preciso por meus pés no chão e começar a ser mais realista porque a realidade que eu vejo é tão ruim e amarga que estou sim preferindo viver na fantasia de acreditar que posso fazer dessa fantasia uma realidade e vou descobrir um jeito. Ainda não encontrei como mais vou descobrir, e quando descobrir não vou ficar fazendo propaganda sobre e pedindo que me paguem para aprenderem comigo como fazer igual. simplesmente vou contar.

    Porque algo que nesses quarenta anos de vida eu aprendi, e aprendi muito bem é que o sapato pode ser o mesmo modelo, marca e valor. O numero que as pessoas calçam pode ser igual, todas as condições podem ser as mesmas, mas em cada um o sapato vai provocar uma sensação diferente, se não provocar sensações antagônicas. Isso não faz de mim uma pessoa melhor nem pior que ninguém não, só mostra como somos pessoas diferentes. Eu aprendi na minha vida que para ter um mundo melhor pra mim o mundo tem que ser melhor de dentro pra fora, mas que se do lado de fora o mundo esta ruim do lado de dentro por mais florido que esteja uma hora fica sufocado. Também que se do lado de fora esta florido e do lado de dentro podre é preciso tratar a podridão para que essa podridão não se espalhe. Porque o todo influencia o meio e o meio influencia o todo. Química básica, Aprendemos isso no ensino fundamental, mas não damos importância.

    Nessa minha busca eu vejo posts sobre receitas para atrair o que se deseja, a formula secreta da prosperidade, e etc. Ou então ganhe dinheiro on line fazendo isso e aquilo, e etc.; mas algo em comum em todos esses posts que começam com cursos gratuitos e imperdíveis é que todos sempre acabam oferecendo inscrições para algo monetariamente custoso para quem se interessar pelo que for oferecido por quem esta palestrando no curso. Bom, eu tenho um desafio para propor a quem faz esses cursos, se eles dão resultados e podem mesmo trazer a diferença na vida das pessoas não cobrem pelo que vocês oferecem. Um mundo melhor traz uma melhora para o mundo. E se as técnicas oferecidas são realmente validas porque cobrar por elas? É realmente necessário se cobrar por algo que pode mudar a vida das pessoas; se mudou e melhorou a sua vida da forma como você apresenta sem seus cursos porque vc precisa cobrar para fazer a mesma coisa na vida de outras pessoas? A única conclusão que eu chegou é que sua vida não mudou pelo seu método, e sim pela grana que vc recebe das pessoas que acreditam e pagam por ele. e nessa espécie de pirâmide elas aprendem a enganar outras pessoas como foram enganadas e ao invés de tornarem o mundo um lugar melhor estamos espalhando algo ruim no mundo. 

     Não me envergonha em dizer que me deixei enganar e envolver duas vezes por dois desses métodos, um deles me ajudou a descobrir algumas ferramentas on line que não vou mentir me ajudam a ganhar algum dinheiro, e se eu me dedicasse mais tempo e um pouco mais de paciência eu poderia quem sabe ganhar um pouco mais e talvez, quem sabe ter uma renda considerada mediana para o que eu poderia considerar razoável pelo que eu acha que seria bom pra mim e minha pequena. O outro eu fui bloqueada do aplicativo depois de três meses de uso e até agora eu não sei porque. Simplesmente o site não reconhece meu login e eu não consigo mais acesso. Então não cito nesse post nomes dos sites, por motivos óbvios, mas seria muito pedir que tenham mais discernimento na hora de pagarem por algo que seja pra mudar a vida de alguma forma. Porque novamente lembrando que esse post é uma crise de quarenta anos, a vida só muda quando a gente muda. Nada muda sem que a gente mude primeiro.

    E é isso, meus quarenta chegaram, com eles meus cabelos brancos, nas têmporas, e não tenho vergonha deles, nem tento esconder com tintas, uso atualmente cabelos curtos, mas minha filha me pediu para deixar meus cabelos crescerem, ela disse que prefere meus cabelos compridos, falei que vou tentar deixar crescer de novo, mas que não prometo. Fazem dez anos que não passo tinta nos meus cabelos, três anos que não uso químicas, e estou feliz com o resultado. Já acumulo um emagrecimento de 13 quilos depois da cirurgia  bariátrica, o que não é muito, mais tbm não é pouco considerando que não estou podendo fazer musculação e exercícios em academia, e tenho sabotado minha dieta comendo de forma descontrolada e sem muito discernimento coisas calóricas que eu sei não deveriam mais fazer parte da minha dieta. 

    De modo geral se eu olhar minha vida sem julgamentos estou sendo privilegiada, tenho muita sorte e muito o que agradecer.  Então sim eu quero poder chegar nos meus 50 com outra crise igual, onde minha conclusão mude alguns números e algumas considerações sobre o caminho que tomamos como humanidade; mas acredito que não vou abrir mão dessa minha jovialidade; afinal o que são quarenta anos pra quem ainda brinca de boneca? 


quarta-feira, 7 de abril de 2021

"Se você pudesse se ver com os meus olhos e sentir por você como eu me sinto as coisas entre nós seriam diferentes"

      "Se você pudesse se ver com os meus olhos e sentir por você como eu me sinto as coisas entre nós seriam diferentes"

    Ambígua, deliciosamente ambígua. Posso entender essa frase de duas formas maravilhosas, posso ver nela o sentido romântico de um relacionamento onde uma pessoa só vê o lado bonito e perfeito, onde as partes da outra pessoa se encaixa perfeitamente nos lados dela que ela entende que faltam nela mesma e esse encaixe forma algo completo e perfeito dentro do imaginário do que é perfeito. Posso também entender que vejo no outro todas as suas imperfeiçoes e mesmo com elas consigo perceber que como duas pessoas inteiras conseguimos coexistir dento de uma existência em comum sem deixar de sermos um em cada um.

    Qual desses é o relacionamento perfeito? Em qual deles podemos ser apenas o que nos faz feliz? para responder essas perguntas precisamos descobrir o que nos faz feliz primeiro. eu achei que tinha feito essa descoberta quando embarquei em um segundo relacionamento e aceitei o desafio de orientar e guiar uma nova vida por esse mundo caótico e cheio de desafios que vivemos, E não estou falando dos desafios da convivência não, estou falando dos desafios íntimos de conviver comigo mesmo em primeiro lugar. Essa frase me faz pensar em coisas muito diferentes, Em como mudamos nossa percepção de mundo e de nos mesmo diante dos desafios que a vida e as circunstancias nos coloca.

    Olhando pra mim agora com 39 anos e quase 40 completos eu me vejo e consigo me admirar e me apaixonar pela mulher forte, decidida e admirável que me tornei. Mas não quero ficar por muito tempo perto dela; muito estranho uma mulher de quase 40 com uma filha de 4 anos que ainda não tem uma fonte de renda estável, e mora na casa dos pais! Como conviver diariamente com uma mulher que sorri mesmo quando dá pra sentir a raiva emanando dela pela respiração? Realmente eu vivo ou sobrevivo aos dias que se passam como repetições de auto controle emocional de surtos psicoticos de autodestruição e tentativas frustradas de gritos de liberdade?

    Estou escrevendo isso e me perguntando se algum dia terei coragem de publicar esse texte. acredito que nao. se vier a ser publicado sera por engano ou descuido. verborragia como diz meu psicologo. sou teimosa demais pra aceitar que o que eu preciso é baixar a cabeça e aceitar os fatos. Mas porra que fatos? O de que moro na casa dos meus pais e dependo deles pra tudo nessa vida? Ja aceitei. Que nao tenho condição nenhuma, nem psicologica, nem financeira e muito menos emocional de cuidar da minha filha de 4 anos sozinha sem a ajuda deles? ja aceitei. que estou fracassando em cada área da minnha vida, desde que decidi que nao queria ser uma copia da minha mae e espou me tornando uma copia muito mal feita dela ? pronto aceitei, sou o rascunho rabiscado mais mal acabado que poderia ser da pessoa que eu amo mas que odeio ao mesmo tempo

    Aceito, faço as pases comigo e entendo que tudo que fiz pra fugir nessa tentativa de me afastar me aproximar mais me fez chegar ainda mais perto dessa frustração que me encontro agora. Acho que ja entendi, sou fraca demais pra tomar uma decisão definitiva e acabar com minha vida, mediocre mas é minha e apesar de tudo estou vivendo ela. então acabar com ela não é uma solução. Na verdade me suicidae é uma solução facil demais, então nao sei se quero. Fugir iria me colocar em uma situação de risco desnecessario, ja que estamos em pandemia e pegar covid e depender de atendimento medico nessa momento é algo tbm desnecessario, existem pessoas precisando mais de atenção que eu. Então me resta escrever, e continuar vivendo de surto em surto. dia apos dia.

    Mediocre, apatica, filosofando sobre coisas como essa frase:
     "Se você pudesse se ver com os meus olhos e sentir por você como eu me sinto as coisas entre nós seriam diferentes"

O que poderia ser diferente?

Como eu poderia me sentir diferente se me visse pelos olhos de outra pessoa, por exemplo meu pai?

Suposição: 36 anos que escolhi se pai dessa mulher, ela deu trabalho, era uma criança linda e amorosa, quem imaginou que daria o trabalho que deu na adolescência, Tá, tudo bem que agora depois que se tornou mae muita coisa se explicou com aquele episodio do motorista, mas isso não justifica esse comportamento; ela não ta bem, gostaria de poder ajudar, mas não sei como, o pouco que ela me fala não me da abertura pra ajudar, é minha filha e eu como pai não consigo fazer mais por ela, onde eu errei?

Como eu me sentiria diferente me vendo com esses olhos? a minha apatia seria ainda maior, a minha melancolia, e minha vontade de sumir provavelmente. não vou mais pensar nisso porque só de pensar na forma como seria com meu pai eu já fiquei um pouco mais forte pra pensar na possibilidade de tirar minha vida. A única coisa que ainda me faz querer viver essa vida medíocre e triste que eu vivo é ela. Não tenho vergonha de admitir que minha filha é a única pessoa na minha vida toda que me faz querer acordar todos os dias, ela e o nosso cachorro me fazem querer sair dessa melancolia e voltar a sorrir. è por eles que quero superar essa depressão.

    Sei que estou deprimida, sei que tenho surtos de ansiedade e que não estou nem conseguindo chorar porque simplesmente tenho controlado tanto minhas explosões de raiva com minha relação tensa com minha mãe que qualquer coisa eu sei que pode ser ruim demais deixar escapar e como proteção estou segurando tudo. Eu sei, eu tenho consciência disso. Sou uma pessoa que brinca muito, faz piada de sentimentos e emoções e faz situações sérias parecerem apenas corriqueiras, mas eu sei fazer isso justamente porque eu conheço minhas emoções e sentimentos pra entender o meu limite. E estou vivendo na beira de um precipício perigoso.

    Escrevo nesse blog como uma forma de colocar toda essa minha frustração em ordem, é um jeito de deixar minhas ideias e ordenar meus pensamentos, e quem sabe algum dia como de forma magica o universo coloca meus textos na tela de alguém que se identifique e mesmo sem saber escrever consiga encontrar nas minhas palavras conforto e orientação pra não fazer da própria vida alguma besteira com consequências desastrosas. Porque a depressão que as pessoas levam a sério é aquela na qual as pessoas deixam de usar roupas limpas e tomar banho, mas esquecem que deprimidos tbm tomam banham, também se alimentam, e fazem suas tarefas do dias a dia, porque muitas das vezes estamos apenas deprimidos e sem vontade de viver, mas também estamos sem nenhuma vontade de morrer porque achamos fácil demais essa solução.